Monday, December 31, 2012

...condição




As horas trocaram as voltas aos minutos tombados na urna encalhada como naufrago à deriva

...queimam os segundos a tocar o dia na noite
noites em dias relatados na ilusão
confundi
confundi-me nas letras espelhadas do meu reflexo
a desvanecerem encantos
números de magia a iludir sentidos
perdi
perdi-me nos recantos de mim
deitada nos escombros do era tinha do haver ser
enlouquecer em falácias daquela que corre pára encanta
empurra enlaça desfaz dizeres
de ecos a sondarem áridas órbitas descoordenadas nas coordenadas de ti

...vida vilã
da fuga do assombrado encalce
encruzilhada a tropeçar no lodo
roxo do frio
cansaço
de ficar aqui
mais um dia.

Tuesday, December 18, 2012

...mu(n)dos



Calculas o tempo sem espaço em minguantes de aurora
onde me refaço
dos escassos segundos de segredo
contendas milénios cruzados
estradas de pedra baloiçam encantos
foram recantos...
luares cadentes de desejos.

...quiseste ser mundos a conquistar sonhos
à mão apanhados na demora
noites de candeias iluminam sorrisos
apagados nos dias
rasgados ao vento
lançados ao mar como palavras escondidas
cinzas no pó ao pó de corpos
em sombras a colherem vitórias
cercadas de ti em ti
nós desfeitos tímidos amparos

Calculas o espaço sem tempo
corres nos segundos esbatidos a temerem becos solitários de ninguém
vagueiam memórias
lugrubes histórias
de telas brancas esquecidas a serem
soldados da glória
a resgatar recados de bandeiras hasteadas
na vitória dos teus passos.

Tuesday, December 04, 2012

...ternura

(Autoria de Inês Guerreiro e Fernando Chainço)
 
 
 
...perder assim o tempo a sussurar silêncios nos risos da infância
a sentir
a ver o céu no céu
a ser essa distância dupla
palavras nossas em conjunção de olhares de vários longes
longes a fazerem-se perto na distância que nos cerca a razão
 
...o longe é a nossa mais profunda razão o nosso corpo comum
e o olhar em toques de ternura
olhar cinzel do mais apaixonado impossivel
aquele que raia a alvorada e o sol mais alto a ser traços de glórias tímidas a esconder sorrisos
rasgados
o que revolve a terra em jeitos de lágrima e traço
esta doce crueldade de te falar reflexo
 
...espelhos em tonturas de sonhos
espelhos
tontos porque não nos despem a alma
essa que grita nas profundezas da noite a clarear os dias
essa que grita a noite em doçuras de corpos deslavados ferem a vista
essa que nos gela com a sua luz na contraluz degelos frágeis...
 
...nos dedos por entre os mais dedos no demais de outros dedos como numa partitura
cantam encantos insondáveis a temerem o frio
a queimar notas à flor da pele na voz das flores
 
...canto o corpo que fui sem saber de um corpo
sou tempo que leva
leva a cor em estrondos nos tempos roucos da loucura...
 
 


Tuesday, November 13, 2012

...(o)regresso

 
 
 
…voltar reler
o teu olhar em cruzamentos de odores
memórias de sobressaltos na pele
arrepios de calma não dita
ecos de tormentos dos dias
à noite
 
palavras ditas que escreveste
feitas sonhos de roletas russas a conter amores
 
…a tua voz
aqui
tu aqui 
 
…pensei em nós
achei-te em mim
outra vez
olhares de fusões a serem
ânimos reanimados de recobros da demora.
 
…voltar reler rever voltar
ser
outra vez espera sem espera
sonhos a conter amores
ecos na noite revolta em nós
 
 

Monday, November 12, 2012

...(à) queima-roupa


picture by Danielle Kwaaitaal

 
Rusgas de cabra-cega em solidão lançam volteios de danças roucas
torpedos a esgueirarem o frio à fome
loucos amparos reparos de desaires em braços cadentes
paixão

…vidrados olhares imaginam encontros
à queima-roupa onde te revês uno na nudez dos porquês
como vais onde sais
entras
em candeias avessas traiçoeiras velas acesas escurecem
altares capatazes ao luar
como quedas abruptas do poder a esconderem larachas
assaltos de sussurros gemidos contrafeitos
 
…confundes calma honra palavra dita
a exterminar sagacidades verdades
loucas promiscuidades a serem cautelas
à venda no penhor a preço de raivas idas contidas nas saídas de portas
fechadas em cadeados perdidas as chaves
ferozes encalces de história
em vidrados olhares à queima-roupa.
 
 

Monday, October 22, 2012

...pontes



Véus negros a cobrirem faces ocultas pelos escolhos vibrantes a reluzir ao vento incauto
da memória
afazeres de vidas tramadas em passos e passos repassam glórias
falsas a tombarem fel
e o relógio não pára nos teus segundos de conversas
escassas
zig zags de afãs
lagares vagarosos queimam silêncios a sangrarem
medos
recantos resguardados como tectos falsos
ocos apodrecem rancores
púlpitos vagabundos a pedir esmola
miseros tostões culminares de pedra
corações de gelo derretem ao sol como invasões dos trópicos
...vikings sem glória ou encanto

Véus negros a cobrirem faces
a tua face que grita
lamenta
sustenta
odores indolores que sobrevivem

...e cais sem cair no cais das mentiras que iludem
...e sais sem saires da vida que ocultas
vais como viking sem glória ou encanto
nos miseros tostões de pedra que
sustentas.


Sunday, October 14, 2012

...catarse




...fragilidades em papel de seda constrangem sustos momentâneos na palavra
simplicidades tocadas de nadas
pequenos nadas a serem tudo envolvem púlpitos na demora dos dias
é noite quando te sei
e sei-te de noite como dias inacabados
leio vis logros fúteis escaras a tentarem ser maiores que os sonhos
viragens de trôpegos consensos
queimam sentidos à flor da pele...

...perdeste o caminho feito de sal e pegadas escritas em fuga
na fuga do outro de ti de mim como jogos de cabra-cega fulminados no olhar
olhares razoáveis infames tontos como mãos que se tocam
tocaram a perder de vista
frígidas sensações em brutalidades de real...

...espelho de vultos invisíveis
és foste abraço enlace escape de escapatórias enlouquecidas zonzas afagos suspeitos
galopantes vozes a zunirem ecos
rasgam encantos feitos escolhos flutuantes à beira-rio apodrecidos
contaminados estão os sentidos
contaminados estão
os amantes amigos embarcações à deriva
como fragilidades
simplicidades tocadas de nadas.

Monday, October 01, 2012

...(â)magos dos sentidos



...mágicos olhares perpetuam palavras
ritmos dançantes à flor da pele tocam sentidos
magias eleitas ao descalabro errante
suspeitas fulminantes volteiam veraneantes a esquecer abrigos
pedaços de eterno
palpitantes encarnações de sorrisos
fantasia ou realidade pedem-te escolhas em tropeços de candura dizem
fizeram-te escultura em bruto tatuado ao sol da tarde que encadeia razões
pensaste acabam-se as fadas os duendes o amor e o vulto arrepios na pele
e
morrem-te os sentidos a fazerem-se tarde na noite que amanhece em suspiros errantes

...sabias
sabes
mágico é o amor
o olhar o abraço a vida a vulgar tontura que te cerca a sussurar ternuras
o que não se explica aplica-se em cor
de cor fiz-me sal de pegadas em castelos por construir habitados pensamentos
segundos a parar no tempo assaz inolvidável mordaz
o amor tem
tem o gosto do algodão doce da infância a derreter ventos trocados de linhas que se tocam
sabes
sabemos que mágicos olhares perpetuam palavras
que o chão não é o que pisas
o céu não é azul tingido de branco marfim em brincadeiras de cabra-cega
o momento não é apenas um momento
o sentimento de cair sem cair a ser maior que o brilho que te seduz
queimam-te os sentidos
e a chuva seca de odores inanimados gagueja vadia indiscritíveis afagos
dizem
não há magia nem pai natal nem fadas nem duendes nem rotundas a dançar a polka
nem grilos falantes nem amores dilacerantes nem casas de chocolate a serem comidas por inocências
saltam à corda
mas sabes
sabias que tu
sabias que eu
e nós e os outros
aqueles outros
sabes
irmãos de sangue tépido a aquecer ilusões
sem serem vulgares laços de tempestades a unir clarões de brumas a esquecerem verdades
abraçamos causas maiores em sensações de fulgores de passos apressados

...fizeram-nos escultura em bruto tatuado ao sol da tarde que encadeia razões
mas dizem
apenas dizem sem dizer assim como quem sussura baixinho carícias de ocasião
o olhar o abraço a vida a vulgar tontura que te cerca a sussurar ternuras
tem o gosto do algodão doce da infância a derreter ventos trocados de linhas que se tocam a queimar sentidos onde mágicos olhares perpetuam palavras
e tu
e eu
somos amor lançado aos sete ventos em gritos de loucura.

Wednesday, September 12, 2012

...(jor)nada


 
...escarpas da sorte escapam derradeiras alusões em flor
desabrocham as palavras a silenciarem filmes a preto e branco de eras
eras
a serem relâmpagos acesos na demora de tilintares ofuscantes de sinetes que se contorcem
estremecem as cinzas
e as cores
amores em desarmes de folgas a serem espécie de terror
humores aquosos fugazes

...escapes
viajantes no tempo
nómadas da inglória fuga de nós
vulgos veraneantes a preço de chuva rondam os dias de afectos que foram
som no som oco
viscerais são as tonturas de ser
contos em pontos de pespontos a rasgarem o luar
refazes palpites vulgares sussuros que viram as costas de corda ao pescoço imploram
um
um único afago que te contorça a memória
a seres
voltares no regresso da bruma que te consome

...escarpas da sorte escapam
por entre brios e sonhos e verdades ocultas de antemão valem gritos
valas de abismos a entrar de rompante em bicos dos pés
demoram
demoram-se na demora
enquanto és
volts ao rubro a estilhaçar razões
vagas alusões reflectidas no espelho
brancas são as noites de dias em rigores de inverno
correm-te gatunos nas veias
pechinchas de sei lá o quê que comes na palma das mãos
guardadas por cadeados que corroem...
...tentações.

Sunday, August 26, 2012

...nu(ma voz)


 
...como pactos do diabo em vis loucuras
abraços corpo no corpo da tua voz
carne de carícias soltam-se das algibeiras
como máscaras vendidas nas feiras a preço de nada
três por um a ser escada de salvação
gemidos são escape inalterável contradição do ser

...mendigos por um pedaço de chão
humus lodo afundam viris cinismos
olímpicas passagens de salteadores da arca escondida
a cadeados acorrentam-te liberdades

...fugas vespertinas em alarmes de azul
corrompem enlaces suspensos em notas de cinzento céu

Olha o céu nuvens de contrastes chamam o teu nome
és tu em cima do negro véu
cobre máscaras encobertas que sorriem
brincam de passagem às passagens de níveis que corroem verdades
...como pactos do diabo em vis loucuras
abraços corpo no corpo da tua voz.

Tuesday, August 14, 2012

...como anjos



Finda-se a noite em jugulares de azul como quebras oblíquas a remarem figurinos em asas de anjo
cortados encantos de sobreaviso ao luar

Contém-se a carne na dor que não se sente a cortar choros contidos na compulsão do nada
sorrisos em desafios de virtudes aladas rogam suspiros de afagos...

...as fadas tecem a hora
em linhas desfiadas a cercar silêncios
tremuras conjugadas na brisa da aurora queimam chuvas de porfírios lá fora

...há males nas frestas do frio
rotas ilusões saltitam solfejos
miras a cercarem anjos desnudados na pele sufocam palavras
como sorrisos de rompante a tocarem esquinas
no céu de logros que a tua mão te deu
a pendurar enfeites acariciam luas na noite do céu dos teus desejos

Finda-se a noite em jugulares de azul
como miras de anjos desnudados na pele
...sufocam afagos.

Monday, August 13, 2012

...a pressa

Photo taken from here

Há livros abertos na estante descalça a gritarem reinos desertos
sem teres os teres descoberto nas ausências das cores a rasgarem ondas ao luar
incertezas a serem maiores
grotescas paisagens despidas na pele.

Em toques de fel rugem trocadilhos em ironias
percalços descalços tropeçam incautos
rainhas como pedras em véus negros cobertos de chuva ávida
corroem recantos a rasgarem luares em ondas despidas na pele.

Encruzilhadas a turvarem-te a visão colhem frutos desertos áridos de paixão
a serem desertos ávidos como caves desabitadas a trocarem olhares fugazes que foram
são ruas por conquistar deambulando fracas ao luar.

Corre que a vida não espera enquanto esperas que te caia o tempo no desalento da demora
corre que o sonho fechado a cadeado na memória adormece

(e foge-te por entre os dedos incapazes de filtrar os silêncios a serem horas de loucuras)

corre e espera sem esperar que o caminho faz-se em pressas a pararem segundos...

(draft for a song)

Saturday, August 11, 2012

...liberdades confessas

Photo taken from here

...não me importa quem tu és
ou foste disseste sentiste mentiste
não me importam as palavras
ou cadentes alegorias falsificadas
penduras frágeis fios de prumo decadentes
viro as costas de máscara em punho
cerro as mãos ao caminho
trilhos descompensados cercam desafios

...não me importa quem tu és
quem vês é mirone mascarado ao luar
sob a luz dos dias a silenciar coragens
não me importam as derrapagens
vómitos bloqueados na palavra
viro-te as costas e sigo alerta
para trás chocam os louvores
do que era não eram valores

...sorrateiro de degrau em degrau
nas esquinas roucas a tecer enganos
contas sorrisos
mentes promessas
brancas são as noites de insónia

(draft for a song)

Friday, August 10, 2012

...frente-a-frente

Photo taken from here

A dançar pé ante pé
tropeças nas pedras ocas de ti
jogadas no suor da tua fé
agora sabes que não te menti.

Boatos feitos câmaras ardentes
ardem em corações feitos pedra
como gelos de certezas dementes
ferem laços que jamais se perdem


Eu sou aquela a tal o teu pesadelo
cercado da bruma que em ti cai
no orgulho petulante que foste
frente a frente
eu sou aquela que ignoraste até então
sou o teu pesadelo
serei o teu pesadelo.

(draft for a song)

Thursday, August 09, 2012

...foi em vão

Photo taken from here

Passam os dias a correr na pressa dos dias parados por esquecer
não esqueces a história em contos de fadas que te contaram
nos dias parados a correr na pressa dos meus passos cansados
viras as costas ao poder
sabes que as guerras morrem na paz dos olhos teus
a deitarem faíscas de feras selvagens em gritos meus

Por entre caminhos fizemos-nos pôr-do-sol
em milésimos de segundos somos reis destronados da vida
passos percorridos cansados voltámos atrás
nada feito tudo desfeito a reconstruir
histórias como contos de fadas que te contaram
num mundo de sonhos a ruir
em guerras a morrer na paz dos olhos teus
viras as costas à saída
fazes-te pegadas no amor do espaço onde te guardaram
nos suspiros meus teus pararam.

Queres saber como fui por aí
nas escolhas desconcertadas a tocarem ventos sem chão

Sabes que o saber de te ter foi escolha feita em vão
queres saber o que sabes
foi em vão
foi em vão

(draft for a song)


Wednesday, August 08, 2012

...Vertigem

Photo taken from here

Ser capaz de sentir a ilusão alta a fazer-se chão
nos dias e noites somos filhos
marionetas no caminho a honrar a solidão

Laços da razão a perderem loucuras vãs na tontura de sermos
sonhos em escassos segundos feitos papel de sentidos
fúrias de amores a crescerem juntos

Um espaço
caminhos a cruzarem semáforos vermelhos de pegadas passadas
jogámos as cartas rasgadas ao vento
e hoje somos vidas a ser
a serem tonturas em fúrias de amores a crescerem juntos

E tu qual escada rolante ascendente
acreditaste que um dia te fugiria o vento em zigzags de memórias
mas tu
tu quiseste ser
a contra-relógio de fugas concertadas um mito na história


Somos um
assim como tu e eu
a sermos dois num frágil céu

Somos sonhos a serem
serem mitos na história
(draft to a song)

Tuesday, July 31, 2012

(Tr)ause(u)nte


Nas algibeiras um pedaço de gelo queima as certezas na contradição da incerteza teimosa
ímpeto voraz
equilíbrio em contra-sensos a abrandar a cor de medos crueis
irracionais ilusões como fantasmas em orquestras concertadas tocam óperas desafinadas a crescerem nos recantos da imaginação a ser real

...pinto o céu de azul noites em chamas ao acordar
despertam os sinos quebrados pelo mofo da imensidão em anjos caídos
choram as lágrimas no peito castradas em sorrisos
tatuadas a preto e branco
cinzas da escória subalterna a agitar cartazes de poder
olhares que pedem sem querer
vis de tão puros de inocências

...e em gritos de palavras cantadas em uníssono
calam as vozes da revolta oca de ser em resignação
mais um
uma morte a ser
assim a morrer aos bocadinhos
a viver
embrião a ousar embalar a chuva que lá fora cai
cá dentro
a morrer aos bocadinhos
assim num dia como o outro e no outro
mais um traço nas linhas da mão
paixão de mortes em palco sussuram subterfúgios
como algibeiras em gelo queimam fantasmas nos becos pútridos deambulantes a errar certezas.

Thursday, July 19, 2012

...(re)tired


...cansaço de ser
contra marés na fé de alcançar
anulações em sonhos flutuam na areia a trespassarem corações apinhados de correntes a cercarem o dito o não dito em dizeres que se prendem acobardados nas conchas assimétricas a que chamam ser
incólumes presenças a desfazerem-se frágeis em perdidos e achados na liberdade dos dias
tonturas em pernoitas audazes
guerras incapazes de serem o chão que toco a sentir que a ilusão é um papel pardo que rasguei entorpecida vida afora na demora de não ter
ignorantes palavras por dizer
escapes da memória a clamar perdão
em tempos de chuvas a tropeçarem no clarão da noite
das minhas noites
em branco
desencantos em fúrias contidas
orgulhos a cantarem o fado em dias cinzentos de corpos suados suaves em carícias são um
momento
e temo
temo como temia em tempos sem temor por o dia do acordar enlameado em lágrimas de agonia
mas temo
como já não temia paralisarem-se-me os membros a quererem ser limbos de ázimo dançante
e sei
que sabia que não serias assim um pedaço de vento jogado ao logro da intempérie
mas sabia
que um dia
numa noite de ruptura auspiciosas sensações de loucura assombrariam o caudal dos rios
faz frio assim
em braços enlaçados nas memórias
de sangue derramado como glórias de sem fim a baterem promessas ao peito
está frio lá fora
e temo
mas sabia que um dia o cansaço me enlouqueceria
como tonturas em pernoitas audazes
está frio
nos teus braços de suspiros como abraços falsificados a fugirem do medo
a ser
cansaço.

Monday, July 16, 2012

...acontec(eu)



...colho as chuvas ávidas de escansões a correr de medo nas fúrias andantes
fantoches de acesos dramas contingentes aos dias viscerais da razão
razões onde tropeçamos
caimos em vão a calar fugas
encontros frágeis a entrarem de rompante na cela de húmus onde te cercaste de poder
vil saber amargo cravado no peito

...e seguem
seguem-te na tontura desconcertante da musa encantada a sorrir venenos trôpegos da fala
mas seguem
seguem-se às noites mal dormidas de loucuras trespassadas cravadas nas cinzas do ontem
mas foi
foi assim
mas assim se foi a saltitar de poente em poente manchas negras de gritos à flor da pele
a ser
séculos a serem despedaçados ao vento à espera
espera
encontros vulgares a serem
são
firmes lâminas afiadas a rugirem a despeito cá dentro
em ecos
incertos a serem
loucos tropeços galantes de ternuras em beijos fugazes que foram
foi assim
assim no ir a desandar em Si como lágrimas de Dós a implorarem silêncios a quererem ser
dramas contingentes aos dias viscerais da razão
sem ser
quando não eramos
a acreditar em sonhos frágeis sentidos
vil sabor amargo cravado no peito
a rir
gargalhadas em eco a cair caiem em eco
insanes palavras a sentirem o chão
como são cobardes os sentidos a quererem ser crianças grandes em baloiços despreocupadas
mas são
e são assim

...firmes lâminas afiadas a rugirem a despeito cá dentro

foi assim.

Monday, June 25, 2012

...fica


...guardei os teus sonhos na estante vestida de azul céu a pedir horas à glória de serem dias imperfeitos a nascerem nos recantos da imaginação
pensei que um dia teria força de alegrar o tempo que retinhamos em pensamento a formarmos logros em auspiciosas tentações
e queria
queria ser assim uma menina sem esperança de brilho no olhar a não acreditar que nós são dois
somos dois assim em baloiços despreendidos das horas nos claustros a rangerem os dentes à sorte
mas...
mas hoje sonhei contigo
e hoje quis ser contigo
talvez amanhã já não saiba não me lembre de ti
mas hoje
hoje nós somos assim dois encantos a sorrirem no altar abandonado pelo desdém onde retocámos a história de sermos assim como dois infames do amor amargurado a querer ser
sermos nós.

...guardei os meus sonhos frágeis da partida e cerrei os punhos a querer gritar
FICA
sem saber a querer saber que ficar a não ficar é mera ilusão pretensiosa a querer ser nós
como somos sós por inteiro a plenos pulmões de guerras a suspirarem como balas em roletas russas de canhões apontados ao cume dos dias trauteados em canções de lúgrubes farpas.

...rangem os corações em estilhaços
nos sonhos
guardados
em azul céu
onde somos nós
só porque hoje
só hoje sonhei contigo
e quis ser
sermos sós
só nós.

Sunday, June 10, 2012

...(a)nota


...e a noite é tão longa no cair dos teus olhos a fecharem portas à dor
de ser mais um
um dia a escarnecer dos momentos em que te rias
sorriamos ao luar
como livros abertos em exposição longe ao toque
perto como os sonhos
livres de ser
a sermos só
somente só
um momento

...e à noite quando a luz cai no brilho do teu olhar
a vida efémera entretém a dor
desamores afinados na lágrima rouca ao grito da pele
findam-se as consortes
em falácias perdidas escritas no vento
e somos
...somos só.

Sunday, May 27, 2012

(per)ver(si)dades




...porquê
quantas vezes me pergunto
escolhas a ressoar no eco obscuro da minha mente impura pedante enlaçada em horror

...porquê
trespasses na linha do certo incerto
em notas graves do intelecto
fugas de louvor
calma em máscaras de circo errante
como malabaristas a correr nas farpas da loucura que omites
cerca-te de luvas brancas a clamarem liberdade na dignidade puritana dos dias
fingimentos negros em posturas
medos a fugirem das palavras

...porquê
ecos em trespasses de loucura impura a pedir

: perdão.

Tuesday, May 15, 2012

...its dark outside



...à noite quando o relógio canta de mansinho e eu
a correr cá dentro nos ponteiros embasbacados pelo negro da sorte em fragilidades ténues de sussuros...

....sempre tive medo do escuro
dos fantasmas e das ilusões
dos punhais afiados nas mãos dos traidores a abraçarem causas maiores em nome do amor
mas
à noite
os fantasmas caem no chão quente da glória dos actos cá dentro a implorarem descanso
e canso-me de ser
fugas vespertinas a pararem no tempo fustigados pelo vento lá fora a assobiar cantigas de embalar que fecham as portas à memória dos dias em que te vi
via a passar para ficar
ficares dentro de mim
ao toque em segundos de sensações de completude a serem escravas da distância
vulgares palavras prepotentes a ousarem empunhar espadas em cavalos de tróia desconfiados a enganarem a lucidez
da noite...

....e canso-me de ser
assim objecto de batalhas perdidas a reinarem indecentes funestas vitórias
assim joguete inglório do sistema de luzes a contra-tempo
palcos delapidados por sorrisos
aplausos sombras em carne a arderem nos recantos das histórias
e dentro de mim
apenas sei
sei apenas uma palavra a ressoar nas escutas às escuras dos ecos da tua mente
que não sei
o rumo dos caminhos errantes nos empedrados das cidades a rugirem ao luar
e nas palavras entorpecidas pelo cansaço
apenas sei que
...sempre tive medo do escuro.

Monday, May 07, 2012

...in veritas satire


...um palco negro em molduras de luzes foscas
toscas
ocultações de sonhos em telas arrasadas pela água que escorre das paredes
húmus
focos de memória
perturbações ensanguentadas em filmes de zigzags feitos histórias de embalar
meninos
crescidos a acreditarem no bicho papão debaixo dos lençóis a sorrir
tonturas de céu e mar
extravasam o olhar em rituais de sonhos

...transborda a vida
a cor
velozes verdades ocultas na palma das mãos
a sentir
sorrisos de tristezas a pairar
no ar rarefeito dos dias a contarem segundos nos bolsos vazios de farpas
escarpas
a escapar no fim dos dias
quando a noite se põe no sol em horizontes à sombra encostados
em luares de flores arrancadas cá dentro
e tu a cantares
a vulgar tontura de seres
serões aquecidos nos abraços à lareira
trocas de silêncios feitos solidão
a dois
sem dois ermos túmulos a julgarem
a tinta dos traços que lias a sentir ânsia de ser
a ser a ânsia de ver
a ver a tinta a escorrer dos sonhos no ecran
espelhos cá dentro a rugirem
escarpas
a escapar no fim dos dias.

...um palco negro em molduras de luzes foscas
na ignorância a ser
nossa em sentidos desfeitos
luzes a contraluz encarceradas em nós
como somos sós...
na fúria dos dias em sonhos de aves de rapina a quererem ser
a serem
um mais um
dentro de nós.

Monday, April 30, 2012

...(ras)Cunhos de Intimidade


 
...podia acabar o mundo
assim num segundo em silêncio
como quem reflecte o amor tendencioso
a honrar as brumas da memória esculpidas nas cinzas da tua história
...podia acabar o mundo
assim nos teus braços de sorrisos a encobrirem tristezas
tréguas da vida a cederem momentos nas telas de negro que vestes
a serem mantos invisíveis ao tacto
escondidos nas esquinas a praguejarem revoltas concedidas

...podia acabar o mundo
assim num segundo em silêncio
no silêncio
assim
nos teus braços a sorrir telas de negro escarlate paixão
a morrerem-se-me as palavras no peito
trapo estraçalhado rasgado ao vento do pecado
frágeis vozes roucas em vertigens
na vertigem de ti...
...podia acabar o mundo
em palavras que se bastam a si mesmas sem se bastarem
vogais a gemerem por consoantes a errar o traço
enlace rasurado de ti
feito cume de louvores a quererem ser

a serem
...frágeis vozes roucas na vertigem de nós.



Sunday, April 22, 2012

...face(s) it



...you were fighting for the truth
crawling the waters inside
meeting strangers in the night
clouds of your lie

...deny
deny it
can't deny
trapped the wisdom
the freedom of self
heart made of floppy seasons aside
beside a way there's a way
fears in the ashtray
your smoking dreams
your smoking kings
wearing fancy suits crashing down the weaks
freaks of nature alive

...you were
you are
freedom lying at the door
open
you were
you'll be
cloudy dreams escaping fee
million names
shames like trophies
million candlelight records on the wall
begging a hand
to take them all...


Tuesday, April 17, 2012

...(no) ONE cares



...mas porque haveriam de se importar
olhar
sentir perceber que a vida está para além do que vemos
saber
entender que a chuva é uma mera ascensão da fuga cá dentro a percorrer os discárnios que desmente

...mas porque se haveriam de importar
com o estar sem estar
a querer dormir para ficar
rasgos de fúrias contidas
sem saber que o tempo é relativo e não pára nos vermelhos dos semáforos
e dos teus olhos a pedirem
laivos de ternura
verdades abraçadas na tormenta dos dias
em zig zags constantes a quedarem-se nos passos pequeninos e vagarosos
teimosas ilusões
gritos que gemem de dores incontornáveis
do ser
são cores senhor
dizem os tolos em joguetes de crianças descomprometidas
viajantes do hoje na imortalidade dos esquecimentos
são cores
desamores como desilusões em tentativas maiores
batalhas esquecidas nos preambulos da demora injustiçada
inocências
dizem em cartazes de flagelos em lutas despropositadas
nas esquinas contorcem-se as memórias
e os sonhos
realidades contraditórias
camufladas na chuva do vazio
dos teus olhos
cheios
em laivos de prepotência
tão cheios
de desventuras
agruras azedas de chocolates fora do prazo
acenos de juventudes errantes a serem
tentativas de louvor

...mas porque
porque te importas
com os sorrisos as cores os desfavores as lutas em escutas desencantadas
sabes
num olhar de relance
assim como as perdas que se encontram aos saltos desnudados nas palmas da tua mão
sabes
encantos que não são
fugas por encontrar
lânguidas mensagens de senão
adeus
talvez amanhã
serás
assim como olhos que vêem
sabes
eu importo-me...


Wednesday, April 11, 2012

...intimacy - take one


...pérfidas ascensões momentâneas
a quererem ser maiores que os sonhos
a serem
caídos aos pedaços nos vãos de escada
que percorreste a correr
dois em dois
saltos desencontrados
encontros a dois
a quererem ser maiores que as escolhas
a vida a palpitar
imposições em juros de mora
lá fora caem em ti trovões em chamas
a arderem cá dentro
assim como assim
mais ou menos
nem dois em dois
um
calmamente a rastejar
encontros a dois
a lançarem-se ao mar
naúfragos diletantes
tentações a vaguear
castram-te o tempo
a força o amor a razão

...em pérfidas ascensões momentâneas
a quererem ser...

Wednesday, March 28, 2012

...be(lieve)



...will i have the chance to be me be free again live again?

...a contar os dias pelos dedos das mãos que teimam em cercar
me cercar em abraços ditos ternuras longe de serem gritos em fúrias contidas
laivos de esperança nos dias
a correr aos saltos como membros desmembrados sonhos castrados ao vento
queria
quero poder cortar-te as fugas no olhar
as chamas nos céus incandescentes a raiarem a loucura
ser como a brisa que te lembra a inocência dos sorrisos de quando ligavas sem ligares à chuva lá fora
mas agora
agora as noites desfazem-se em interrogações
suores a gemerem cá dentro a sentirem a pernoita de ilusão
queria
eu queria a querer sem querer apenas porque quero ser
ser outra vez
assim como quem adormece e acorda nos olhos teus
realidades paralelas em frágeis sentidos
e sei
eu sei tão bem bem demais que o ontem fez o hoje sem o amanhã dos tumultos assombros
e sei
eu sei tão bem que será
seremos melhores
assim como quem ainda acredita nos monstros debaixo da cama e no bicho-papão
assim como quem ainda acredita nos sonhos a serem
apenas serem
escolhas em oportunidades mil a serem
apenas serem
o amanhã a crepitar no orvalho das linhas na palma das mãos
balões de glória em esperanças a sorrir
mas
queria
quero poder ser sentidos nas horas breves em prolongamentos de segundos a contornarem esquinas desabitadas
suspiros em gemidos de prazer
snobes orgulhos de humildade a serem reis
...e sei
eu sei tão bem bem demais que o ontem fez o hoje sem o amanhã dos tumultos assombros


...i will have the chance to be me be free again live again!




Thursday, March 22, 2012

...D(e)ar




És amor antes que possas sequer concebe-lo
ou pensar ou dizer uma sílaba sequer
na moldura resguardada no espaço ainda vazio na parede pintada em tons de azul céu sorris com o teu olhar da recém descoberta do que é a vida
e sem que possas entender estas palavras que te escrevo sonhamos juntos no correr dos dias na certeza do calor de te ter nos meus braços
enlaces de ternura
póstumas aventuras e gargalhadas em ecos reflectidos na bruma que nos cerca
certos dos momentos que partilhamos desde o primeiro segundo
o bater do teu coração dentro de mim
assim como quem sonha e vive a memória
assim como quem sabe que tem sem ter
contos e pespontos contornados nas histórias de quando ainda davas os primeiros passos
um olhar sem olhar
filmes tatuados no papel das linhas que escrevemos
a dois
a três
idealismos feitos sensação
a sentir ao toque notas em bequadros a embalarem-nos os corpos
condições derradeiras da juventude imortal

És amor antes que pudesses sequer concebe-lo
hoje
estas palavras são a carta que um dia
um dia quis que lesses
assim como quem acorda e afugenta a preguiça
assim como quem diz: amo-te antes de saberes que o amor é tudo o que existe
a mover-se por entre as estradas do pensamento a querer ser maior que os homens que desmentem
em tentativas de faces mascaradas a sorrir na contra-luz
tu és a minha luz
em abraços de palavras ditas no silêncio das noites
insónias
de dia
e a saber que chegou ao destino sem cadeados que a cerquem ou censuras a castrarem os sonhos
És amor antes que possas sequer concebe-lo
a sentir ao toque notas em bequadros a embalarem-nos os corpos
condições derradeiras da juventude imortal.

Tuesday, March 06, 2012

...Romance



...as luzes caem na cidade em esperanças como reencontros a baterem à porta fechada gritos convulsivos resignados
fecham os olhos e a chuva cai
lá fora
destemida em compassos de memória
nas algibeiras de suspiros a transbordar caem romances de boca cheia a refazem a tentativa de serem mais um dia
noites a quedarem-se nos olhos teus
fechados por silêncios em colcheias em despique
de abismos à espera
de mais um dia
noites a cantarem baixinho assim no teu colo onde me sustenho em abraços tidos como promessas do melhor
...há um frio que gela as dores
calores a sondarem as linhas na palma da mão escritas em tentações que ousaste ser
por mais um dia
noites em sombras dançantes como bailes mafarricos no arco-íris contido
fantoches a sussurarem míticas vazias sílabas loucas do abecedário incompreensivel que foi
fora por um dia as contagens decrescentes da morte
por ti
resgates de tentações
a saborearem as hóstias da agonia

...caem as luzes na cidade
no silêncio da paz dos olhos teus
semicerrados no horizonte do teu espaço
a fazer-se encantamentos de romances de mãos cheias
cadeados cerrados nos bolsos vazios que regateias por um tostão
mas
lá fora
fecham os olhos e a chuva cai
há um frio que gela as dores
em brincadeiras de foi será
são verdades inconsequentes a saltarem à corda
1 2 3 serenatas no teu peito

...caem as luzes na cidade
no silêncio dos olhos teus
sonhos nossos nos teus braços
abraços em suspiros de convulsões resignadas
a serem os antepassados do que foram
seladas na imaginação
lá fora
há um frio que gela as dores
por mais um dia
noites
por ti.

Monday, February 20, 2012

...a(apart)


...películas a preto e branco como filmes mudos a percorrerem salas repletas de desfigurações a sorrir gentilmente como quem desdenha a querer ter o que foi ao existir sem saber dos escassos minutos de ímpeto em sinceridades deslavadas a colorir o manto da verdade

...acreditaste
creditaste a memória e o amor na sombra sem forma da vida como areia a correr por entre os dedos
...acreditei
faz tempo que acreditei nas pitorescas rondas emolduradas na parede a três passos da chegada
tão perto
em sussuros de silêncios a gritarem loucos são os sentimentos
assim como quem espera em vão
a saber
cansada de saber descansada
que sim
tu sim
fomos assim como que um caminho em anos percorrido nas páginas soltas da memória
jogadas ao vento atroz dos segredos para sempre derramados à chuva apagados em pedaços de ternura
átrios de fogo fátuo cá dentro
dados a ditar a sorte lado a lado

...há encantos desgarrados na fuga do dito
não dito
cinzas a mascarar a pele com que te vestes
vestimos
a acumular louvores rasgados nas entranhas negadas na primeira esquina a contornar escândalos
mas
acreditei
faz tempo que acredito
em sussuros de silêncios
há encantos
cinzas a mascarar a memória
nós
jogados ao vento atroz dos segredos para sempre derramados à chuva apagados em pedaços de ternura

...sim
nós
somos assim.



Friday, February 10, 2012

Keep(it)




...guarda as letras soltas do alfabeto
as cores tatuadas na pele a preto e branco matizes de lá sustenidos em silêncios
rascunhos de feitos a imaginarem-se espaços de tentação a ser
guarda os mitos e os medos e as escolhas escoltadas em glórias desenhadas nos muros da cidade a praguejarem os direitos desamores louvores guerras inconclusivas a levarem à morte da azáfama tormenta em fulgores desmedidos
guarda o que não foste o que virias a ser o que serias se

...se não parassem cartazes em contraponto na contraluz diáfana dos dias a correr nas veias corrumpidas a aliviarem dores.

...aqui ao teu lado os minutos trespassam olhares
as dúvidas em créditos de desafios superados
a insegurança em amor inoxidável incorrumpível legado da lei apregoado em mundanas ilusões
aqui ao teu lado sei que sou capaz
espelhos a reflectir a cadência da alegria que trago nos bolsos cheios a oferecerem sorrisos
e sei
eu sei
que sabes que sei
que serei o que sou
somos
assim como quem fecha os olhos e adormece nos braços teus
que o dia das costas viradas não reflecte o espelho quebrado em jazigos de nadas
o tempo quanto tempo tem o tempo das noites nos batimentos do meu peito
em esperas desconcertantes paragens a caminhar
caminhas em voos de sopros destemidos a suspirarem vem
e vais
eu sei
que sabes que sei
se não parassem cartazes em contraponto na contraluz diáfana dos dias a correr nas veias corrumpidas a aliviarem dores...
aqui ao teu lado sei que sou capaz.

Tuesday, January 31, 2012

...(un)touchable



...como pude eu acreditar que te poderia ter só para mim
perpetuado num abraço
trocas íntimas de carícias a demarcarem a noite
noites dias intemporais
contigo em mim
eu em ti
promessas de ilusões
esfínges de outrora que me rasgam a pele
torturam as escaras da morte em amores que jazem na roleta da sorte
qual recanto enamorado em imaginações de adolescentes a acreditarem na vida
e no amor

...quebraram-se os corpos em jazigos cá dentro
a soluçarem na rouquidão da palavra
odores em toques a queimarem a pele
sílabas soltas em frases feitas a gelarem-me os sentidos
já não sinto
não quero mais sentir
sentir-te
assim
numa dor sem fim de horrores onde fui feliz
nas projecções de um dia
talvez um dia
sermos
somos seres invisíveis intocáveis ao olhar
incalculáveis quedas da ribalta em altares despidos do nada
ocos trespasses de fala
falas
a definharem nos minutos em sangue nas linhas da minha mão
e tu
tu caminhas pedante
e eu
eu caminho errante nas risadas de estradas que fazem o caminho
de horrores clamores ditos amores
desfeitos
enleites de venturas
ternuras
seriam um dia
talvez um dia
a colheres os frutos da agonia
às escaras da sorte
consorte de morte a flutuar de recantos inóspitos nevoeiros

...como pude eu acreditar que te poderia ter só para mim
nas projecções de um dia
talvez um dia
sermos.


Wednesday, January 25, 2012

...sand marks



as migalhas perdidas no chão de pedra a fazerem-se caminho por entre as sombras pedantes a atravessarem os trilhos nas palavras ditas em cárceres de imaginações ocas a preencherem os espaços vazios ecos de vozes distantes

...acreditei
faz tempo que acreditei
disse-te ao entardecer as promessas que desfiz
por ti enquanto corrias ao longe cada vez mais perto a fazeres-te cumplicidade de ironias
...acreditei
a tropeçar nas pedras do caminho que ias deixando a pairar em mim
dentro de mim
a imaginar ondas de calor entre nós
encontrei
a razão que me trouxe a ti
até aqui
sem ti
a cair aos pedaços desvanecendo o negro onde habitas

...sei
eu sei meu amor
que em dias de torpor e ventos sombrios
a espera é coisa derradeira e atroz
...sei
eu sei que dei demais fui demais quis ser ainda mais
a imaginar o livro dos nossos dias tingido com as cores do arco-íris
eu e tu
nós
sem estarmos sós nesta imensidão que é o mundo
tão pequeno
rasguei o hábito e a toga ao vento
a fúria aos olhos egoístas reflectidos nas ondas do mar
em múrmurios onde me perdeste
te perdi
a ti e outros tantos
a contar migalhas na palma das mãos
como pedintes nas ruas desertas
pombos famintos de louvor em gritos de tonturas inalcançáveis

...sei
eu sei meu amor
faz tempo que acreditei

...disse-te ao entardecer as promessas que desfiz
por ti enquanto corrias ao longe cada vez mais perto a fazeres-te cumplicidade de ironias.


Friday, January 20, 2012

...mis(sing)



...trago a noite nas algibeiras
a cantar o fado que se perdeu nas ruas de alfama
e as ausências feitas aqui gritam em exclamações de amor
porque foste para lá onde não te sinto
cumplicidades de outros tempos pairam no ar que respiro
aqui por aí
calam a tontura de saber
ler
não ter
as linhas em recaídas nos batimentos de paragens cardíacas a contar os anos na palma das mãos.

...trago a vida nos bolsos vazios a soluçarem de morte
desbotados rasgaram o tempo de ser
jogos de sílabas toque e foge decadente em infâncias de crescidos a pedirem esmolas
mascarilhas de guerras à desgarrada desmitificadas pela cadência do olhar
que já não olha
não olhas
viamos
viamos-nos no correr dos dias a parar devagar encantado de mitos a viverem o auge da cor
viagens memorizadas no peito
onde se calam os tempos
os outros tempos
aqueles
das estrelas cadentes e guitarra na mão
como a dança que faziamos à beira-mar em luares que se seguiam a dias iguais
e noites
sorri
a censura faz-se tarde quando não há nada para censurar
cumplicidades
aqui por aí
calam a tontura de saber que...

...trago a noite nas algibeiras
a cantar o fado que se perdeu nas ruas de alfama.



Sunday, January 15, 2012

...poison



...o que me consome no vagar dos dias
assim aos solavancos devagarinho és tu que me ouves de entremeio pelas palavras sem sequer entenderes que o que se esconde agora aí por detrás do véu que nos cobre na imensidão do saber e do sentir
é o silencio que nos tolhe e cansa a alma fragmentada de velocidades intempestuosas a tombar assim aos solavancos devagarinho na fúria dos dias onde finda a história que lemos nos livros de fel em resquícios de cetim resgatado nas montras de louvores passados
golpes em fá sustenido e solfejos de maiores sonhos na memória
promíscuas linhas em esboços de futuros entendimentos
cala
cala o louco grito de ti em mim devassado pelas escolhas e esperas intermináveis
fecha
fecha a porta sem trinco que te acolha no vulto do negro
vazio
o quarto o copo o mundo sentado naquele banco à beira-mar que tu
e eu
tu e eu corremos no sal das pegadas que deixámos para trás
em certezas de fulgores despidos do nada
nada
antros de gloriosas loucuras ao pôr do sol
ânimos de consortes a embalarem-nos
os sonhos
mas assim como quem diz preciso de ti
e tu de mim
e dos dias a correr sem saber que seria assim
o que me consome no vagar dos dias
assim aos solavancos devagarinho és tu.

Thursday, January 12, 2012

...for/got


...acreditar na razão com a certeza feroz de quem não teme nem temeu nunca a ilusão caiada no peito
na vista turva de olhos vendados em dúvidas de deleite a serem esquecidos por mais um dia
tropeçaste na fuga do outro em caminhos que não eram os teus a assombrarem-te hoje e amanhã as noites em sonos de insónias a palpitarem nas palmas das mãos sorrisos de encostas derrubadas por um sorriso
deténs
tens o pedaço de terra que te convém delineado em traços esbatidos de letras desarmadas em esforço
esforços de rumores cantados nas noites frias em fados vadios de bares sobrelotados na rua da escória
vultos a cruzar a tinta dos dias
sobrepõem-se na imponência da arrogância dos teus olhos
sabes
a chuva que cai la fora fica dentro de mim em vazios de notas soltas compassos de espera
sei
a luz o sol a vida trespassa-me a cada segundo que passa e leva um pedaço de ti
e eu
eu escrevo naquele papel já amarrotado de anos idos
procurando a linha que siga a conduta
que sigas
por entre encruzilhadas e semáforos inertes a pedirem-te vem
vai
e a chuva cai
e a vida escolhe de entre as cores a cor que te cerca
abraço carente de mais um espaço
sim
fica
no mapa dos dias em papeis amarrotados largados na estante de cinzas e odores
o que não escrevi
és tu

...sabes
a chuva que cai la fora fica dentro de mim em vazios de notas soltas compassos de espera.



Sunday, January 08, 2012

...(a)calma



...apagaram-se as luzes como um strob incandescente que veio para ficar
sem que te apercebas da ausência de cor
em monocromáticas conversas a vaguear nas ruas de faces ocultas pelo frio da demora
e ventos que consomem as escamas na pele torturam os pensamentos desarticulados
como homens sem vida a caminho da forca
miram-te a escarnecer os dias
na total ausência de voz
vozes que cambiam sorrisos e trocam urros à passagem
silêncio
a calma veste máscara
incolor
indolor à superficie que te tatua por dentro a nostalgia
e a cor
amor
a vida a saltitar nos jardins de encantos
suspiras
revês relês escutas demoras-te... pensas
lês vês ouves queres saber porque o tempo se calou faz tempo
no sol dos teus olhos a refletir ilusões nas ondas do mar
luas que se atropelam
noite após noite em cronómetros desconcertados
pecam as memórias
fugas rumores histórias
como livros em saldo nas bancas esquecidos...

...apagaram-se as luzes como um strob incandescente que se queda nos olhos teus
ao espelho de mil pedaços que quebraste na fúria de achares que a realidade era mais do que isto
e aquilo e aquele-outro trejeito sem jeito a fazer de conta fugaz
inoportuno
silêncio
a recarregar baterias nos fachos que persegues às mãos do vândalo catalogado a preço de nada...

...larga a ilusão
a calma veste máscara.

Sunday, January 01, 2012

...quer(er)



Por aqui se tecem as cores do que foram dias de raiva contida em tensões desumanas de humor negro
rasgos de memórias de sonhos guardados sem temor que sustivesse as cinzas perdidas ao vento
embala agora a trôpega escória dos tempos idos
abandonos imperiosos que a prioridade grita na sombra dos dias esquecidos por ti
e queria
eu queria tanto
tanto sorria por querer o sol nas telas com que te esbofeteei sem piedade ou amor
e agora rio
rio em gargalhadas soltas
porque a loucura é um traço longínquo que ressoa em eco
ecos que se eternizam
amenizam os vagares de sombras atordoados na multidão
que se desfaz em becos imundos de obras de arte nas paredes e cheiro a bafio
uniões de segundos em linhas trocadas
como lojas de 24h em vultos de standby

...e queria
eu queria tanto
e tanto queria que não me continha em pranto
tu e o encanto
da chuva nos vidros de carros em chamas a percorrer autoestradas ao céu
e a minha palavra fica aqui
fechada a cadeado debaixo do marfim em forma de corpo
aqui
em mim que te tenho em solidões de agosto à noite

...ecos que se eternizam
amenizam os vagares de sombras atordoados na multidão.